I think my love as rare As any she belied with false compare

My mistress’ eyes are nothing like the sun;
Coral is far more red than her lips’ red;
If snow be white, why then her breasts are dun;
If hairs be wires, black wires grow on her head.
I have seen roses damask, red and white,
But no such roses see I in her cheeks;
And in some perfumes is there more delight
Than in the breath that from my mistress reeks.
I love to hear her speak, yet well I know
That music hath a far more pleasing sound;
I grant I never saw a goddess go;
My mistress, when she walks, treads on the ground:
And yet, by heaven, I think my love as rare
As any she belied with false compare.

William Shakespeare, Sonnets and ‘A Lover’s Complaint’ en “The Oxford Shakespeare. The Complete Works.”

the heaven that leads men to this hell

SONNET 129

Th’expense of spirit in a waste of shame
Is lust in action; and till action, lust
Is perjured, murderous, bloody, full of blame,
Savage, extreme, rude, cruel, not to trust,
Enjoy’d no sooner but despised straight,
Past reason hunted, and no sooner had
Past reason hated, as a swallow’d bait
On purpose laid to make the taker mad;
Mad in pursuit and in possession so;
Had, having, and in quest to have, extreme;
A bliss in proof, and proved, a very woe;
Before, a joy proposed; behind, a dream.
All this the world well knows; yet none knows well
To shun the heaven that leads men to this hell.

William Shakespeare, Sonnets and ‘A Lover’s Complaint’ en “The Oxford Shakespeare. The Complete Works.”

Asma

The Asthmatic

Because you will not overthrow your life. You cannot breathe. Because of the panic of homelessness. You cannot breathe. Because you have begun to worship time. You cannot breathe. Because you will never have the beautiful one. You cannot breathe. Because you will not sail into the small harbour and enter the village. You cannot breathe. Because your sorrow will not return to its birthplace. You cannot breathe. Because you believe you were not meant to be so far away. You cannot breathe. Because this is the valley of the shadow of death. You cannot breathe. The boat has brought you here. The butterfly has sealed your escape. Because you cannot be here. You cannot breathe. The butterfly smashed into a silver tray and sealed your escape like a stone rolled into a tunnel. You cannot breathe. Because you do not know what is coming. You cannot breathe. Because this world is yours and it is not yours. You cannot breathe. Because you rest, because you strive, because you do not work. You cannot breathe. Because you let the world come between you and me. You cannot breathe. Because of an idea of the calm breath. You cannot breathe. Here they have orange and lemon trees. Here there are baths of mineral waters. Because you want to choose a way. You cannot breathe. Because you find the language to welcome me. You cannot breathe. The sun is sparkling all over the blue water. The stony shore is laved by the sea. Yellow curtains are sucked against the portholes. The propeller wants everyone to go to sleep. You separate yourself from an unknown woman in a green sweater. Because of your love of conquering. You cannot breathe. Because you will not address me as an equal. Because you have commanded the guards to shut down the doors and take away breathing. Because the world is stamped with order, like a seal in formless wax. Because you have a God of justice. Because the justice is immediate and flawless. You cannot breathe. Because you cannot uphold your separation. Because your strangerhood is defeated. Because you breathe your breath through the mask of purity. Because you consign to the pale of objectivity her green sweater, the flashing islands, your distance from love, and your whole breathless predicament. You cannot breathe.

Commentary- The Asthmatic

Exposure to this page can induce a suffocating attack in those who are prone to express the condition of profound indecision which asthma probably is. The sinister rhythms betray the quack and we behold the subversive and imperial intention of a mind that wishes to enslave existence in the name of sweet salvation. Here is the old weapon disguised as charity; greed disguised as the usual prayer, and his trap of panic as an invitation to self-reform. I have begun to turn against this man and against this book.

Leonard Cohen, Stranger Music.

Cínicamente perfectos

Poema em linha reta.

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Poesía de Álvaro de Campos.

Mas o sentido do ser humano é durmir

   
Mestre, meu mestre querido! 
Coração do meu corpo intelectual e inteiro! 
Vida da origem da minha inspiração! 
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida? 

Não cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem
de nada, 
Alma abstrata e visual até aos ossos, 
Atenção maravilhosa ao mundo exterior sempre
múltiplo, 
Refúgio das saudades de todos os deuses antigos, 
Espírito humano da terra materna, 
Flor acima do dilúvio da inteligência subjetiva… 

Mestre, meu mestre! 
Na angústia sensacionista de todos os dias sentidos, 
Na mágoa quotidiana das matemáticas de ser, 
Eu, escravo de tudo como um pó de todos os ventos, 
Ergo as mãos para ti, que estás longe, tão longe de
mim! 

Meu mestre e meu guia! 
A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem
perturbou, 
Seguro como um sol fazendo o seu dia
involuntariamente, 
Natural como um dia mostrando tudo, 
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua
serenidade. 
Meu coração não aprendeu nada. 
Meu coração não é nada, 
Meu coração está perdido. 
   
Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu. 
Que triste a grande hora alegre em que primeiro te
ouvi! 
Depois tudo é cansaço neste mundo subjetivado, 
Tudo é esforço neste mundo onde se querem
coisas, 
Tudo é mentira neste mundo onde se pensam
coisas, 
Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente. 
Depois, tenho sido como um mendigo deixado ao
relento 
Pela indiferença de toda a vila. 
Depois, tenho sido como as ervas arrancadas, 
Deixadas aos molhos em alinhamentos sem sentido. 
Depois, tenho sido eu, sim eu, por minha desgraça, 
E eu, por minha desgraça, não sou eu nem outro nem
ninguém. 
Depois, mas por que é que ensinaste a clareza da
vista, 
Se não me podias ensinar a ter a alma com que a ver
clara? 
Por que é que me chamaste para o alto dos montes 
Se eu, criança das cidades do vale, não sabia
respirar? 
Por que é que me deste a tua alma se eu não sabia
que fazer dela 
Como quem está carregado de ouro num deserto, 
Ou canta com voz divina entre ruínas? 
Por que é que me acordaste para a sensação e a nova
alma, 
Se eu não saberei sentir, se a minha alma é de
sempre a minha? 

Prouvera ao Deus ignoto que eu ficasse sempre
aquele 
Poeta decadente, estupidamente pretensioso, 
Que poderia ao menos vir a agradar, 
E não surgisse em mim a pavorosa ciência de ver. 
Para que me tornaste eu?  Deixasses-me ser humano! 

Feliz o homem marçano 
Que tem a sua tarefa quotidiana normal, tão leve
ainda que pesada, 
Que tem a sua vida usual, 
Para quem o prazer é prazer e o recreio é recreio, 
Que dorme sono, 
Que come comida, 
Que bebe bebida, e por isso tem alegria. 

A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação. 
Libertaste-me, mas o destino humano é ser escravo. 
Acordaste-me, mas o sentido de ser humano é dormir.

 
Fernando Pessoa, Poemas de Álvaro de Campos.

Los heraldos negros

Hay golpes en la vida, tan fuertes … ¡Yo no sé!
Golpes como del odio de Dios; como si ante ellos,
la resaca de todo lo sufrido
se empozara en el alma… Yo no sé!

Son pocos; pero son… Abren zanjas obscuras
en el rostro más fiero y en el lomo más fuerte.
Serán talvez los potros de bárbaros atilas;
o los heraldos negros que nos manda la Muerte.

Son las caídas hondas de los Cristos del alma,
de alguna fe adorable que el Destino blasfema.
Esos golpes sangrientos son las crepitaciones
de algún pan que en la puerta del horno se nos quema.

Y el hombre… Pobre… pobre! Vuelve los ojos, como
cuando por sobre el hombro nos llama una palmada;
vuelve los ojos locos, y todo lo vivido
se empoza, como charco de culpa, en la mirada.

Hay golpes en la vida, tan fuertes… Yo no sé!

César Vallejo, Los heraldos negros.

El viajero

Está en la sala familiar, sombría,
y entre nosotros, el querido hermano
que en el sueño infantil de un claro día
vimos partir hacia un país lejano.

Hoy tiene ya las sienes plateadas,
un gris mechón sobre la angosta frente,
y la fría inquietud de sus miradas
revela un alma casi toda ausente.

Deshójanse las copas otoñales
del parque mustio y viejo.
La tarde, tras los húmedos cristales,
se pinta, y en el fondo del espejo.

El rostro del hermano se ilumina
suavemente. ¿Floridos desengaños
dorados por la tarde que declina?
¿Ansias de vida nueva en nuevos años?

¿Lamentará la juventud perdida?
Lejos quedó -la pobre loba- muerta.
¿La blanca juventud nunca vivida
teme, que ha de cantar ante su puerta?

¿Sonríe el sol de oro
de la tierra de un sueño no encontrada;
y ve su nave hender el mar sonoro,
de viento y luz la blanca vela hinchada?

Él ha visto las hojas otoñales,
amarillas, rodar, las olorosas
ramas del eucalipto, los rosales
que enseñan otra vez sus blancas rosas

Y este dolor que añora o desconfía
el temblor de una lágrima reprime,
y un resto de viril hipocresía
en el semblante pálido se imprime.

Serio retrato en la pared clarea
todavía. Nosotros divagamos.
En la tristeza del hogar golpea
el tictac del reloj. Todos callamos.

Antonio Machado, Soledades.

Soneto

Soneto

Mientras por competir con tu cabello,
oro bruñido al sol relumbra en vano;
mientras con menosprecio en medio el llano
mira tu blanca frente el lilio bello;
mientras a cada labio, por cogello.
siguen más ojos que al clavel temprano;
y mientras triunfa con desdén lozano
del luciente cristal tu gentil cuello:

goza cuello, cabello, labio y frente,
antes que lo que fue en tu edad dorada
oro, lilio, clavel, cristal luciente,

no sólo en plata o vïola troncada
se vuelva, mas tú y ello juntamente
en tierra, en humo, en polvo, en sombra, en nada.

Luis de Góngora.

El mañana efímero

Este hombre del casino provinciano
que vio a Carancha recibir un día,
tiene mustia la tez, el pelo cano,
ojos velados de melancolía;
bajo el bigote gris, labios de hastío,
y una triste expresión que no es tristeza,
sino algo más o menos: el vacío
del mundo en la oquedad de su cabeza
.
Aun luce de corinto terciopelo
chaqueta y pantalón abotinado,
y un cordobés color de caramelo,
pulido y torneado.
Tres veces heredó; tres ha perdido
al monte su caudal; dos ha enviudado.
Sólo se anima ante el azar prohibido,
sobre el verde tapete reclinado,
o al evocar la tarde un torero,
o la suerte un tahúr, o si alguna cuenta
la hazaña de un gallardo bandolero,
o la proeza de un matón, sangrienta.
Bosteza de política banales
dicterios al Gobierno reaccionario,
y augura que vendrán los liberales,
cual torna la cigüeña al campanario.
Un poco labrador, del cielo aguarda
y al cielo teme; alguna vez suspira,
pensando en su olivar, y al cielo mira
con ojo inquieto, si la lluvia tarda.
Lo demás, taciturno, hipocondríaco,
prisionero en la Arcadia del presente,
le aburre; sólo el humo del tabaco
simula algunas sombras en su frente.
Este hombre no es de ayer ni es de mañana,
sino de nunca; de la cepa hispana
no es el fruto maduro ni podrido,
es una fruta vana
de aquella España que pasó y no ha sido,
esa que hoy tiene la cabeza cana.

Antonio Machado, Campos de Castilla.

Estoy cansado

Estar cansado tiene plumas,
Tiene plumas graciosas como un loro,
Plumas que desde luego nunca vuelan,
Mas balbucean igual que un loro.

Estoy cansado de las casas,
Prontamente en ruinas sin un gesto;
Estoy cansado de las cosas,
Con un latir de seda vueltas luego de espaldas.

Estoy cansado de estar vivo,
Aunque más cansado sería el estar muerto;
Estoy cansado del estar cansado
Entre plumas ligeras sagazmente,
Plumas del loro aquel tan familiar o triste,
El loro aquel del siempre estar cansado.

Luis Cernuda, 34 poemas.